sábado, 25 de agosto de 2012


Refletindo sobre Leitura e Escrita Digital 
A escrita digital, nada mais é do que uma evolução da forma de escrever. Utilizando as facilidades que o computador nos proporciona, é possível criar textos e conectá-los através de links de uma forma tão prática, que isso acabou se tornando a característica fundamental de um texto publicado na rede. Toda essa flexibilidade trouxe novas possibilidades. Você pode cortar, copiar, apagar, editar, mover, enfim, tudo o que antes era muito limitado no papel, se transformou em brincadeira de criança. Escrever uma reportagem ou um trabalho acadêmico, sem dúvida, que é mais rápido com o auxílio do teclado, do que com a caneta. Neste contexto, a escola tem um papel fundamental de informar e conscientizar o aluno de que podem fazer uso da leitura e escrita digital desde que seja adequada ao contexto do cotidiano formal ou informal.
Não sei se todas estas mudanças são boas, não sei se a escrita digital é ou não uma vantagem. Sei que em muitos casos ajudou, ajudou e muito, a poupar tempo. Um dos pontos negativos, com certeza é a falta de capacitação dos profissionais da Educação, que reclamam da falta de tempo. Mas  temos que organizar o nosso tempo, pois não podemos ficarmos parados no tempo, pois se tivermos interesse e vontade de aprender, conseguiremos, basta nos dedicarmos mais.

O Computador e o Professor


               
Não devemos esperar que o computador traga uma solução mágica para a Educação, mas, certamente, poderá ser usado pelo professor como um importante instrumento pedagógico. Sabendo explorar esta ferramenta para trabalhar com projetos que surgirão na sala de aula, o educador poderá proporcionar uma aprendizagem construcionista, contextualizada e significativa. O aprendizado deixa de ser fragmentado e os projetos podem envolver diferentes disciplinas, tornando o ensino cooperativo e interdisciplinar e a avaliação formativa e construtiva.
O computador não poderá substituir o professor. O processo ensino-aprendizagem não será privado das relações humanas imbuídas de emoção e afetividade, pois o professor é fundamental para desenvolver as habilidades, o lado afetivo e os valores de cada aluno.
O grande desafio que a nova tecnologia traz para o educador é transformar o aluno em agente do seu próprio desenvolvimento intelectual, afetivo e social. Para isso, o professor precisa estar preparado para o uso desta tecnologia que fará a Educação deixar de ser mera transmissora de informação para ser promotora da construção do conhecimento do aluno. Seu papel será, mais do que nunca, fundamental no ensino-aprendizagem, pois a ele caberá ser o facilitador desta nova construção do conhecimento, mas é preciso haver uma mudança na escola e a valorização do professor na sociedade, mostrando sua importância na formação dos futuros cidadãos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Flagrantes de nosso ensino
Veranice Dalvesco
Como era de se esperar, o ENEM apresentou um festival de pérolas. Veja algumas coletadas por mim durante a correção dos testes:

– “As pessoas deveriam agir assim: se uma árvore está prejudicando uma casa, não corte a árvore, mas sim derrube a casa.

– “Vamos todos juntos desintorcicar o Brasil”

– "... aconselho que cada pessoa não fizessem muito desmatamento, não colocassem fogos para que nós transpiremos bem"

– Uma composição trazia o título “Choversi Fasul u Testu”. Depois de muito esforço, descobriu-se que ele quis dizer “Deixe-me Ver Se Faço o Texto”.

– “Falta um pouco de amor próprio aos animais e vegetais.”

– “Para que preservar a natureza se já existe a clonagem?”

– “...regiões possuentes de florestas”

– “Com as queimadas feitas não há apenas perda de árvores, mas também a perda de animais que vivem acoplados sob o tronco das mesmas.”

– “E os agrotóxicos? Por que usar veneno? As frutas e verduras ficam uma maravilha por fora, más o seu cérebro está podre, é prejudicial à saúde.”

– “Desde a descoberta do Brasil por Cristóvão Colombo, o desenvolvimento foi freqüente, mas também a devastação ambiental.”

– “Trecho do Hino Nacional, como ‘minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”

– “...estamos caindo em um principicio que só Deus sabe onde podemos acabar.”

– “O homem é o único ser humano que tem a capacidade de raciocinar que pensa antes de agir.”

Infelizmente, esse é o retrato da educação brasileira. Nós achamos engraçado, divertido, mas deveríamos lembrar que esses alunos são fruto de nosso trabalho de professor. Como estará a consciência de cada profissional de educação, ao deparar-se com tais absurdos? Será que cada um de nós está realmente ajudando esse jovem a crescer, a fim de ajudar o país? Confesso que, depois desse trabalho, convenci-me ainda mais da importância que um professor tem na vida de um cidadão. Por mais que a tecnologia se desenvolva, ele nunca será substituído. Apenas está faltando mais responsabilidade por parte de muitos, que ainda não desempenham corretamente seu papel.

Professora Veranice Dalvesco, Dourados - MS


O que falta nas escolas
Júlio Clebsch
Nessa época em que se discute os avanços da tecnologia, as inteligências múltiplas, inúmeras novas teorias em educação, é fácil uma escola perder seus princípios, sua razão de ser. Evite que isso aconteça em sua instituição de ensino, fique de olho nesses fatores:
FOCO
Escolas deveriam ser um centro de aprendizagem. Em vez disso, espera-se agora que os professores resolvam todos os problemas da sociedade brasileira, melhorem a economia, acabem com as injustiças, funcionem como monitores de creche, transformem seus estudantes em pessoas de bom caráter e cidadãos exemplares, diminuam a desigualdade social e resolvam a questão indígena. Todos esses itens são válidos e merecem todos os cuidados, mas as escolas precisam parar de pedir que seus professores solucionem todos os novos problemas que aparecem na sociedade. Concentre-se em poucos temas de cada vez.
COLABORAÇÃO
O aprendizado ocorre melhor em um ambiente de colaboração , sem barreiras artificiais de hierarquia e burocracia. Entretanto, costuma ocorrer o contrário com a estipulação de regras quase militares para a comunicação e discussão de novas idéias. Dessa maneira, não é de se espantar que a maioria das instituições seja um deserto de idéias e iniciativas. Facilite a troca de idéia entre níveis hierárquicos e entre docentes e discentes.
MOMENTOS X PROCESSOS
Imagine colocar um termômetro na rua em um dia qualquer de julho e, de posse do resultado, dizer como foi o inverno inteiro aquele ano. O mesmo acontece em nossas escolas. Esperamos que um teste, que a resposta à dez perguntas, nos informe tudo sobre como a classe está indo, o que é preciso mudar, o que nossos estudantes não entenderam e outros fatores.
O aperfeiçoamento do ensino é contínuo e não depende de um teste ou avaliação. Tente perceber, todos os dias, o que está acontecendo em sua sala de aula.


Educar para a vida: o trabalho, o carinho e a técnica do professor
A influência psicológica mais marcante que a criança recebe, principalmente no início de sua escolaridade, é do professor, podendo ser comparada apenas com àquela que exercem os pais.
A adaptação na escola, o desenvolvimento cognitivo e emocional, a personalidade e o desempenho acadêmico da criança refletem, em grande parte, o trabalho, o carinho e a técnica do professor.
O professor precisa estar sempre atualizado, ler muito, tomar conhecimento dos diferentes aspectos do desenvolvimento infantil e, principalmente, enxergar cada criança como ser único que ela é, e não como mais uma na sala de aula.
No contexto social, o professor é o primeiro mentor que a criança tem na vida, fora da família. É fato que as crianças dependem dos professores para se tornarem cidadãos conscientes de seus direitos e deveres para com a sociedade. Sabemos que a cidadania, a política, as condições socioeconômicas e a saúde têm início na educação, na escola. Quanto pior é a escola, mais submisso, vulnerável e ignorante um povo se torna.
Não podemos pensar sobre a educação sem analisar o contexto social, político e econômico em que ela é gerada. Devido ao quadro de desigualdade, de heterogeneidade que caracteriza a sociedade brasileira, nossa educação é considerada uma das piores do Mundo.
Segundo o Projeto Pisa (Pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que avaliou alunos de 40 países, o Brasil ficou com 37º lugar em Leitura, 39º lugar em Ciências e 40º lugar em Matemática! A pesquisa também mostrou que 80% dos nossos estudantes está entre o nível de aprendizado insuficiente e péssimo.
Este é o resultado de um país onde a educação deixou de ser a prioridade, em detrimento a inúmeros interesses secundários, haja vista o orçamento destinado aos salários de quem educa. Sob este aspecto, precisamos pensar na formação e função do professor como “construtor” das bases de uma criança, não apenas pelo que ela é, mas também pelo que ela virá a ser para o mundo.
Transmitam às suas crianças conteúdos válidos para a vida e adotem o ato de educar e cuidar. Não esperem receber crianças prontas para aprender, se preparem para o sabor da vitória de ensinar a pensar e a agir.
Sejam agentes de transformação da sua comunidade através da educação dos seus alunos. Sejam profissionais felizes e elogiados no seu meio, façam diferente!
DEUS EXISTE!
Um homem foi ao barbeiro para cortar o cabelo como sempre ele fazia. Ele começou a conversar com o barbeiro e conversaram sobre vários assuntos. Conversa vai, conversa vem e começaram a falar sobre Deus...
O barbeiro disse:
_” Eu não acredito que Deus exista como você diz”.
_” Por que você diz isto?” _ O cliente perguntou.
_ Bem, é muito simples. Você só precisa sair na rua para ver que Deus não existe. Se Deus existisse, você acha que existiriam tantas pessoas doentes? Existiriam crianças abandonadas? Se Deus existisse, não haveria não haveria dor ou sofrimento. Eu não consigo imaginar um Deus que permite todas essas coisas”.
O cliente pensou por um momento, mas não quis dar uma resposta para prevenir uma discussão.
O barbeiro terminou o trabalho e o cliente saiu.
Neste momento, ele viu um homem na rua com barba e cabelos longos. Parecia que já havia um bom tempo que ele não cortava o cabelo ou fazia a barba e ele parecia sujo e arrepiado.
Então o cliente volta para a barbearia e disse ao barbeiro:
_” Sabe de uma coisa barbeiros não existem”.
_” Como assim eles não existem? _ Perguntou o barbeiro.
_” Eu estou aqui e sou um barbeiro”.
_”Não!” _ o cliente exclamou. Eles não existem, porque se eles existissem não existiriam pessoas com barba e cabelos longos como aquele homem que está andando ali na rua”.
_”Ah, mas barbeiros existem,  o que acontece é que as pessoas não me procuram, e isso é uma opção delas”.
_” Exatamente!” _ afirmou o cliente.
_”É justamente isso, Deus existe, o que acontece é que as pessoas não o procuram, pois é uma opção delas, e é por isso que há tanta dor e sofrimento no mundo.
“Entregue seu caminho ao Senhor, confie Nele e o mais Ele fará”.

                     QUEM IRÁ EDUCAR OS BRASILEIROS?
    Refletindo sobre o ensino brasileiro, estou chegando à conclusão de que a educação que os brasileiros merecem não é aquela acadêmica, que obriga o aluno a decorar para escrever na prova, mesmo que esqueça tudo logo depois; em que o aluno ouve e repete o que o professor fala, como se não tivesse opinião própria; na qual o aluno fica sentado em silêncio, escutando (ou dormindo) porque sabe que não pode interromper quando o professor fala, fala e fala para dar tempo de acabar o programa; que é formada por duas classes, a dominante (que sabe tudo) e a dominada (que não sabe nada). Qual será o futuro desse pobre aluno sem iniciativa, sem espírito de luta, de liderança, acovardado diante dos problemas da vida? Esses são apenas alguns pontos...
    Talvez a educação criativa possa ajudar a lidar com estas situações, pois com ela o professor é aquele que dá a proposta de atividade criativa e a classe vira um formigueiro provocado pela motivação. Os alunos, em subgrupos, são colocados em situação-problema e buscam soluções criativas, dando idéias, ouvindo as sugestões dos colegas, concordando, discordando, acrescentando, pesquisando nos livros ou na memória de cada um. Eles também estão desenvolvendo a agilidade mental porque sabem que essa atividade tem apenas alguns minutos.
    Qualquer pessoa acadêmica que entrar na classe irá ficar assustada com a "indisciplina", mas esse é um novo conceito de disciplina. É a disciplina da Educação Criativa que põe o aluno em ação, aprendendo com a troca de experiências dos colegas, sabendo que a conversa tem que ser no "cochicho" para não importunar os outros que também estão pensando e discutindo outros problemas.
     O conteúdo, que era apenas um pequeno apoio, começa a aumentar, aumentando também a curiosidade e o estímulo para buscar mais conhecimento, descobrindo a alegria de aprender mais sobre aquele assunto.
    As atividades da educação criativa promovem o desbloqueio de três personagens que cada aluno tem dentro de si: o gigante (que pode tudo, mas está bloqueado), a criança (que quer ser feliz e viver plenamente, mas está bloqueada) e o filósofo (que gosta de aprender a pensar, sentir, agir, analisar, liderar, escolher, criar laços afetivos com todos, mas também está bloqueado). A auto-confiança, auto-estima e a segurança emocional estão aumentando em cada aula, em cada atividade criativa porque a escola está trabalhando com seres humanos e não com robôs.
    Sem muito trabalho, o professor está terminando sua aula e deixando os alunos muito motivados para pesquisar e discutir qualquer conteúdo fazendo Projetos Criativos e apresentando, na próxima aula, para o professor e para os colegas que poderão ajudá-los, acrescentando sugestões e dando forças para que leiam e pesquisem mais.
    Pela motivação, aprendem a maravilhar-se com o gigante que cada um tem dentro de si, mas também maravilhar-se com o nascer e o pôr do sol, o sorriso de uma criança, o apoio a um idoso, buscando valores humanos. E na busca por soluções criativas para a situação-problema, aprendem a fazer amigos, a mantê-los e a compartilhar suas emoções. Afinal são seres humanos aprendendo a amar.
    Na Educação Criativa a avaliação é feita por aplausos de encorajamento para que os alunos aumentem sua auto-confiança, acreditem em si próprios e produzam cada vez mais, sempre felizes com a sua maneira de ser.
    Despertando a sabedoria e o potencial do gigante, da criança e do filósofo que estavam bloqueados dentro de cada aluno, o professor estará realmente fazendo EDUCAÇÃO.
Glorinha Aguiar – Especialista em Educação Criativa. Contato: glorinhaaguiar@uol.com.br